A taxa global de mortes no trânsito caiu 21% entre 2011 e 2025, mesmo com mais de um bilhão de veículos adicionados às ruas e estradas nesse período. O avanço divulgado pela Organização Mundial da Saúde mostra que políticas de segurança funcionam, mas não encerra a emergência: colisões e atropelamentos ainda mataram cerca de 1,16 milhão de pessoas em 2025.
As lesões no trânsito permanecem como principal causa de morte entre crianças e jovens de 5 a 29 anos. Mais da metade das vítimas fatais são pessoas que não estavam dentro de um carro: pedestres, ciclistas e motociclistas.
Por que os motociclistas preocupam mais?
O número de motocicletas no mundo mais que triplicou entre 2011 e 2025, impulsionado também por serviços de entrega e transporte por aplicativo. Hoje, motociclistas representam quase um terço das mortes no trânsito.
O capacete adequado é uma das proteções mais eficazes. Segundo a OMS, o uso correto de um capacete seguro pode reduzir o risco de morte em mais de seis vezes e o risco de lesão cerebral em até 74%. Ele precisa ter tamanho correto, permanecer afivelado e ser substituído depois de um impacto relevante.
Velocidade muda a gravidade da colisão
A velocidade influencia tanto a chance de uma colisão acontecer quanto a energia transferida ao corpo. Um aumento de 1% na velocidade média está associado a crescimento de 4% no risco de colisão fatal, conforme a ficha técnica da OMS. Para quem está a pé, pequenas diferenças na velocidade do veículo podem separar uma lesão recuperável de uma consequência fatal.
Reduzir limites em áreas de grande circulação de pedestres, melhorar travessias e fiscalizar não é apenas uma questão de multa. É uma forma de tornar o sistema capaz de absorver erros humanos sem transformar cada erro em morte.
Celular e álcool continuam entre os riscos evitáveis
Motoristas que usam telefone ao dirigir têm probabilidade aproximadamente quatro vezes maior de se envolver em colisões. O problema não desaparece totalmente com viva-voz, porque a distração mental permanece. Digitar mensagens acrescenta ainda mais risco.
Álcool e outras substâncias psicoativas reduzem capacidade de reação e julgamento. A escolha segura é separar completamente consumo e direção, planejando transporte alternativo antes de beber.
O que é a abordagem de sistema seguro?
A OMS defende que ruas, veículos, velocidades e regras sejam planejados considerando que pessoas cometem erros. Isso envolve calçadas contínuas, ciclovias protegidas, travessias visíveis, iluminação, veículos com itens de segurança e atendimento rápido depois de uma ocorrência.
A responsabilidade individual continua importante — capacete, cinto, cadeirinha, respeito à velocidade e atenção —, mas ela não resolve sozinha vias mal desenhadas ou falta de fiscalização. Os países que mais reduziram mortes combinaram comportamento, infraestrutura, normas e cuidado pós-colisão.
Queda global não significa melhora igual em todo lugar
O progresso foi desigual entre regiões. A OMS registrou reduções maiores na Europa, enquanto as Américas permaneceram sem mudança relevante na taxa regional. Por isso, o dado mundial deve ser lido como prova de que é possível melhorar, não como motivo para diminuir a prioridade da segurança viária.
